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Infográficos: A Arte de Tornar os Dados Visíveis
Todos os dias, somos inundados por informação. Mensagens eletrónicas, notícias e notificações de redes sociais atingem os nossos cérebros como uma tempestade constante. Para fazer sentido disso tudo, não podemos apenas ler listas de fatos densos; precisamos de visualizá-los.
Um infográfico é uma tradução. Ele pega em dados “frios” e transforma-os numa história visual. Funciona porque os nossos cérebros foram feitos para imagens. Infográficos constroem a ponte entre os números e os seres humanos. Nós lembramos de 65% do que vemos, mas apenas 10% do que lemos.
Pensemos num rádio antigo. Quando estamos entre estações, tudo o que se ouve é estática — isso é o Ruído. Quando encontramos a frequência certa, a música surge com clareza — isso é o Sinal.
O trabalho do artista é agir como o botão de volume. Eles diminuem o ruído (os detalhes chatos e desnecessários) e aumentam o sinal (a verdade importante). Eles fazem a informação mais relevante “saltar” aos olhos para não ser necessário procurarmos.
Antes de termos palavras escritas, tínhamos imagens. Somos programados para entender símbolos. Quando um artista cria um infográfico, ele utiliza um “Alfabeto Visual” e, através desses símbolos, consegue explicar uma ideia complexa para alguém mesmo que não falem a mesma língua. Ele transforma um “problema matemático” em uma “experiência emocional”. Bons infográficos não são apenas bonitos; eles são uma jornada. Eles guiam o nosso olhar do “Início” a “Conclusão” sem que você nos apercebamos. É por isso que os infográficos são considerados uma forma de Arte Moderna.
Um dos exemplos mais famosos de “Arte de Dados” é o mapa de Charles Minard sobre a Campanha Russa de Napoleão em 1812. Em vez de apenas listar quantos soldados pereceram, o artista usou uma única faixa colorida que vai reduzindo. Conforme observamos a faixa avançando pelo mapa, ela torna-se cada vez mais fina. Não precisamos ler um livro de história para sentir a tragédia — conseguimos ver o exército desaparecendo. É aqui que um infográfico deixa de ser um gráfico e se torna uma obra-prima da narrativa.